Conheça o Empresário Português de sucesso que nunca precisou do Estado nem da Banca

No Prós e Contra da última segunda feira, o Empresário Fortunato Frederico, do ramo do calçado, explicou porque razão tem sucesso nas empresas que têm. E pelos vistos é simples.

Não é típico empresário mediático e presunçoso que podemos encontrar em cocktails na capital, rodeado de tráfico de influências, ostentação e tias fúteis de Cascais. Começou por baixo, trabalhou muito, construiu o seu negócio do zero e hoje emprega mais de 600 pessoas em cinco fábricas e mais de 80 pontos de venda espalhados pelo globo, do Porto a Nova Iorque, Londres ou Berlin. A sua marca, Fly London, é mais famosa e reconhecida lá fora do que em Portugal. Um daqueles exemplos que tanto inspiram os fervorosos adeptos do capitalismo sem freio. O self made men que todos poderíamos ser se vivêssemos na ilha da utopia neoliberal.

Foto: 25abril40anos.dn.pt
O sector de actividade de Fortunato Frederico, o calçado, é um dos mais bem-sucedidos e um dos que mais exportações tem dado ao nosso país. O patrão da Kyaia compete directamente com a oleada máquina italiana e com as principais insígnias mundiais e, de acordo com uma notícia publicada no Dinheiro Vivo no final de 2011, a Fly London era já a oitava marca de sapatos mais vendida em todo o mundo.

Neste patamar de competitividade, era expectável ouvirmos de Fortunato Frederico o habitual discurso dos empresários mercenários sediados na Holanda, que adoram colher todo e qualquer benefício estatal, pagar poucos ou nenhuns impostos e desviar dinheiro através de paraísos fiscais mas que se esforçam por pagar mal e dar aos seus trabalhadores péssimas condições de trabalho ao mesmo tempo que colhem o máximo de lucro possível. Era expectável ouvirmos o dono da Fly London afirmar, nesse contexto de pânico simulado destinado a criar instabilidade que os empresários encostados ao lobby neoliberal tanto gostam de promover, que este orçamento de Estado é uma ameaça às exportações ou um atentado à competitividade.

Ao invés disso, disse Fortunato Frederico sobre o OE16: “O orçamento cumpre as principais promessas: o consumo crescerá e haverá mais dinheiro na economia”. Questionado pelo Expresso, o patrão da Kyaia afirma que o OE16 lhe inspira confiança (16 valores em 20) e que vai na direcção certa (15 valores).

Eis então o que ele falou nos Prós e Contra.

"A minha vida foi regida por 3 princípios:

Poupar, trabalhar para ganhar e investir.

Quando ouço dizer que o Estado tem de capitalizar as empresas, significa que vamos ter o Estado sentado na nossa secretária, quero ver o Estado é longe, já nos trás muito trabalho e impostos.

Confiança:

A economia da social democracia, era uma organização do estado que eu acreditava que criava riqueza, pagava-se aos empregados e todos viviam bem. Cheguei à conclusão que não posso ganhar muito dinheiro, pois não o tenho onde por, os bancos não são de confiança e já se viu o que acontece ao dinheiro que se põe lá.

Quem é que deu cabo dessa confiança? Foram os meus trabalhadores? Não foram....

Tenho quadros que ganham bem e juntam dinheiro e não sabem onde pô-lo, e é essa a confiança que falta neste País. É a confiança de sabermos onde vamos por o que ganhamos e onde investir.

Eu à 48 anos que ouço o mesmo discurso dos políticos. Resultado, sempre o mesmo,promessas.

Uma coisa simples de resolver, que é por alguém a cobrar as dividas, de alguém em que um dia induziram a comprar uma casa, um automóvel, e que agora ficaram a dever o dinheiro, eu recebo uma carta dum solicitador a dizer que todos os meses serão cobrados uma percentagem do salário do seu trabalhador, mas eu faço sapatos ou sou cobrador de impostos? Eu não me importa de fazer esse trabalho, mas têm é de me pagar para isso. Pois tenho duas pessoas a receberem um salário só para tratar desses assuntos, que são da responsabilidade do Estado e ninguém me paga nada por isso.

Não é o financiamento que mais me importa, nunca precisei dele, são as simples coisas como esta que me facilitarão a vida. Financiamento, então se é empresário, é para capitalizar e fazer crescer a empresa, não tem nada de estar a receber dinheiro do Estado ou dos bancos. se poupar para investir, não precisa de ir à banca

A minha mãe sempre me ensinou, "poupa para teres", nunca tive de pedir à banca, fui poupando para mais tarde investir. Agora tive dinheiro suficiente para o fazer e para crescer.

A burocracia é o maior problema.

Construí uma cantina para os meus trabalhadores e à mais de 2 meses que andamos com papelada para a legalizar. Está tudo pronto e a funcionar funcionar. A papelada é que não vêm."

Claro que a maioria dos empresários e gestores questionados pelo Expresso, próximos do pensamento dominante nos partidos do anterior governo, dão nota negativa ao OE16. Não obstante, muitos deles pouco ou nada percebem de produtividade, sendo, ao invés disso, versados na arte da nomeação e do compadrio, com currículos feitos de jogos de bastidores e em empresas públicas deficitárias que ajudaram a arruinar enquanto eram principescamente pagos.

Outros há que devem os seus percursos a lugares oferecidos por empresas cujo sector foi por si tutelado aquando das suas passagens por ministérios ou secretarias de Estado. Fortunato Frederico não será um daqueles CEO’s do Ano que acabam humilhados às mãos de uma esganiçada qualquer mas percebe o seu negócio, produz e acrescenta valor à economia portuguesa. E não parece, ao contrário do coro à direita, minimamente preocupado com a competitividade. Ou com as suas exportações, que representam a maior fatia do seu negócio. Porque será?

Fonte: Aventar e Prós e Contra
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